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19 de março de 2014

Renascimentos em curso

Ontem, na Universidade Federal do ABC, cerca de 50 pessoas participaram do cinedebate O Renascimento do Parto. O encontro foi uma iniciativa do GEH@CT e contou com apoio do MDDF – Movimento de Defesa dos Direitos de Moradores em Favela e do Grupo MaternaMente – apoio à gestação e ao parto ativos.

Enquanto o pequeno explora o espaço, a mãe se vê na telona:
quantas histórias tristes mais precisaremos ouvir para entendermos que é preciso mudar?

O Renascimento do Parto foi o segundo documentário mais visto no país em 2013 – um sucesso que sequer poderíamos conceber apenas uma década atrás, quando falar em humanização do nascimento soava como xingamento e o Brasil permanecia inerte diante de sua elevada taxa de cesariana.

Hoje o abuso de partos cirúrgicos e a violência institucional na assistência ao parto constituem temas públicos e amplamente debatidos, nos mais variados âmbitos da sociedade. Se por um lado isso indica um ambiente mais democrático, por outro lado reforça aquilo que as pesquisas nos mostram há muitos anos: nosso modelo de assistência ao parto baseia-se em premissas equivocadas. Esse é, pois, o ponto de partida do filme.

Eu já o tinha assistido antes, como algumas pessoas que estavam na UFABC ontem. Contudo, por mais que o enredo, as cenas e as personagens sejam nossas conhecidas, sempre nos emocionamos com a potência de suas palavras e seus gestos. 

Ontem, após a exibição do filme, tivemos o privilégio de ouvir a história de algumas das pessoas presentes à sessão. Entre suspiros, lágrimas e muita coragem, as mulheres relataram vivências de cesáreas indesejadas, depressão pós-parto, além de violência física e psicológica durante o parto. Difícil não chorar com essas mulheres pelo atendimento digno que jamais receberam.

Debatedoras a postos,
mas a palavra coube, mesmo, a quem de direito, as mulheres

Como alguém que está imersa no assunto há algum tempo, posso afirmar que essas histórias, infelizmente, são recorrentes. E talvez por isso mesmo essas denúncias, vindas na forma de desabafo, toquem o coração tão profundamente.

Encerramos a atividade não porque tudo já havia sido dito, mas porque os bebês precisavam de sossego e a maioria das mulheres tinha ainda outra jornada a encarar, dentro de suas casas. Mais um nó, que na verdade é o mesmo, que precisamos desatar.


Resta-nos agradecer enormemente a participação de todas as pessoas, em especial à iniciativa de Graciela de Souza Oliver, ao apoio sempre presente de Sarah Brice, e às convidadas Elisabete Zanata e Mariane Menezes, com quem esperamos sempre poder contar. Obrigada!


Um comentário:

Elis Almeida disse...

Não poderia haver melhores palavras para descrever o que houve ontem.
Somos seres humanos, e a violencia acontece pelo simples fato de sermos mulheres.
Qndo eu tive o meu parto roubado, eu tive dor, angustia, vergonha, me senti culpada, achava que só eu havia passado por aquilo tudo.Poucas pessoas ousavam falar da violencia que sofrera nos partos, muitas preferem cauterizar a ferida e esquecer a dor que lhe fora causada, mas eu decidi que nunca iria me calar, as pessoas precisam saber o que o sistema reservava para elas, e com o apoio do Maternamente que tem coordenadoras pesquisadoras do assunto mais pesquisas pessoais e muita conversa com muitas mulheres do Brasil inteiro que foram ou não violentadas e minhas proprias experiencias posteriores ao parto violento, cheguei aqui, e pretendo ir em frente junto ao coletivo, pelo coletivo para que haja respeito na gestação e no parto.

 

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