Encontrei outro dia, em um espaço de trabalho, a obstetra que tirou Sophia de dentro de mim. É, eu sei: ainda devo a mim e a todas que me conhecem desse nosso meio o meu relato de "parto".
Pois é, a última vez em que a vi foi no dia do aniversário de um ano da minha menina, tanto tempo atrás. Naquele momento ainda não estava em busca de nada, explicação alguma, apenas envolta em meu próprio mundo ocitocinado pelo aleitamento em demanda livre, embora o restante de meu mundinho caísse em pedaços ao meu redor.
Então, encontrei a moça. Já sabia das muitas voltas de sua vida, de seus dois filhos e já havíamos nos encontrado pelo FB. Mas antes, ficava pensando: o que será que vou sentir ao encontrá-la? Já tive tantos sentimentos diferentes, ao longo desses quase nove anos...
Lá estava ela, algumas fileiras à minha frente, à minha esquerda. Pois eu não pude esperar. Enquanto um dos palestrantes arrumava o datashow, fui pedindo licença, saindo do meu canto, até alcançá-la. Eu precisava saber. Agachada no chão, ao lado dela, toquei no seu joelho com um "oi!".
Os olhinhos amigos dela se iluminaram ao me ver, nos abraçamos naquela posição estranha, ela assentada, eu agachada, essas coisas que mulheres fazem. Deixei meu corpo sentir o dela, o único caminho para chegar ao conhecimento.
E foi isso. O encontro de duas mulheres, com suas conquistas e tragédias pessoais. Cujas vidas se cruzaram lá atrás em um contexto em que não se sabiam opositoras, para além do trabalho e da amizade que já compartilhavam.
7 de junho de 2012
23 de maio de 2012
Criação com apego: mais amor, menos preconceito
Quando estava grávida, gostava de olhar para uma imagem que muita gente conhece, de uma gato rajado adulto abraçado com um filhote. Tá, admito, rsss... eu sou gateira. Mas a imagem fazia brotar em mim uma emoção intensa, me via assim, agarradinha com meu bebê. Imprimi a imagem e a coloquei sobre o monitor do computador no trabalho. Lá ela ficou, meses a fio, até eu ir para casa de licença.
O nascimento conturbado da Sophia - papo para outra hora - deu lugar, em peso e importância, para a amamentação. Foi ali que de fato começou a jornada de maior aprendizado da minha vida, sem data para acabar... Embora tivesse lido muito mesmo sobre aleitamento materno, nunca tinha ouvido falar de criação com apego, que é como temos traduzido o conceito de attachment parenting. Mas, uma vez iniciada a experiência deliciosa de alimentar e ver crescer o ser humano mais importante do mundo com meu próprio corpo, a intuição foi falando mais alto e me apontando atitudes que nunca antes tinham sequer passado pelo pensamento.
Foi assim que desafiei as recomendações e só levei ao pediatra quando tinham se passado 35 dias, pois não queria que ninguém abalasse a minha ainda frágil confiança na capacidade do meu corpo de alimentar minha menina. Foi também a causa de ir me humilhar perante a chefe e pedir que ela permitisse a presença daquele bebê tranquilo no setor durante a adaptação na creche. Não, eu não tinha opção. Devo ter sido muito convincente, pois ela topou!
O aleitamento foi um sucesso e se prolongou até um ano e sete meses, quando a menina me olhou nos olhos um dia pela manhã e disse: "não quero peito". E por muito tempo não quis mais mesmo. Assim, totalmente autônoma para decidir. Ih, eu fiquei beeeemmm de luto, rssss...
Ela agora tem quase nove anos. Sabe muitas coisas, me ensina várias. Outro dia me ensinou a jogar xadrez. Fala tudo que pensa e sente, às vezes com muita força. Está crescendo depressa, me surpreende com seus comentários sobre a vida e as coisas. Ah, foi lindo vê-la com o megafone na mão na Paulista, outro dia: " a mulherada desse país merece ter obstetriz!" . De vez em quando me pede pra mamar, rssss.
É, eu fui ler sobre criação com apego apenas recentemente. E só então descobri que fazia coisas que já tinham sido nomeadas. E confesso uma coisa: nunca me senti mal de andar na contra-mão nesse campo, sabe? Não sei se porque sou "metida", se é pelo gosto pelas "causas" contra-hegemônicas, se é a idade... Ou tudo junto, talvez.
Sei lá. É que quando olho para ela vejo aquela foto dos gatinhos abraçados. Não saberia fazer de outro jeito. Uma amor imenso.
O nascimento conturbado da Sophia - papo para outra hora - deu lugar, em peso e importância, para a amamentação. Foi ali que de fato começou a jornada de maior aprendizado da minha vida, sem data para acabar... Embora tivesse lido muito mesmo sobre aleitamento materno, nunca tinha ouvido falar de criação com apego, que é como temos traduzido o conceito de attachment parenting. Mas, uma vez iniciada a experiência deliciosa de alimentar e ver crescer o ser humano mais importante do mundo com meu próprio corpo, a intuição foi falando mais alto e me apontando atitudes que nunca antes tinham sequer passado pelo pensamento.
Foi assim que desafiei as recomendações e só levei ao pediatra quando tinham se passado 35 dias, pois não queria que ninguém abalasse a minha ainda frágil confiança na capacidade do meu corpo de alimentar minha menina. Foi também a causa de ir me humilhar perante a chefe e pedir que ela permitisse a presença daquele bebê tranquilo no setor durante a adaptação na creche. Não, eu não tinha opção. Devo ter sido muito convincente, pois ela topou!
O aleitamento foi um sucesso e se prolongou até um ano e sete meses, quando a menina me olhou nos olhos um dia pela manhã e disse: "não quero peito". E por muito tempo não quis mais mesmo. Assim, totalmente autônoma para decidir. Ih, eu fiquei beeeemmm de luto, rssss...
Ela agora tem quase nove anos. Sabe muitas coisas, me ensina várias. Outro dia me ensinou a jogar xadrez. Fala tudo que pensa e sente, às vezes com muita força. Está crescendo depressa, me surpreende com seus comentários sobre a vida e as coisas. Ah, foi lindo vê-la com o megafone na mão na Paulista, outro dia: " a mulherada desse país merece ter obstetriz!" . De vez em quando me pede pra mamar, rssss.
É, eu fui ler sobre criação com apego apenas recentemente. E só então descobri que fazia coisas que já tinham sido nomeadas. E confesso uma coisa: nunca me senti mal de andar na contra-mão nesse campo, sabe? Não sei se porque sou "metida", se é pelo gosto pelas "causas" contra-hegemônicas, se é a idade... Ou tudo junto, talvez.
Sei lá. É que quando olho para ela vejo aquela foto dos gatinhos abraçados. Não saberia fazer de outro jeito. Uma amor imenso.
1 de abril de 2012
Sábado, 31/03.
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Poucas pessoas e tanta diversidade de experiências. Quase todo o arsenal de possibilidaes de nascimento estava ali: um parto domiciliar, um parto natural hospitalar após cesárea, uma cesárea intraparto em meio à cascata de intervenções. Parecia um contexto apropriado para dar a Aline as boas vindas a este universo. Procuramos nos harmonizar com as necessidades dela e nos colocamos à disposição para ouví-la. Peço desculpas a ela, neste momento, se a deixamos pouco à vontade com nossas perguntas e provocações, nossa intensidade pode às vezes assustar... E agradeço à Carol pela luz que sempre brilha em todo seu ser quando conta da sua experiência: a cada vez que ouço - e rememoro minha participação - é tudo novo! Novos sentimentos, novas sensações, mais detalhes e uma imensa ternura em doar a nós sua vivência!
E para quem não foi, lembramos: tem encontro a cada último sábado do mês - mas o próximo será no dia 21/04 em virtude do feriado prolongado do dia 1.º de maio. Espalhem a notícia!
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