Leite materno = proteção para o bebê
Se não tiver tempo para ler toda a notícia, pule diretamente para o último parágrafo. E pronto, já terá captado a essência.
11/08/2010 - 18h07
Açúcares do leite materno protegem bebês
NICHOLAS WADE
DO "THE NEW YORK TIMES"
Grande parte do leite humano não pode ser digerida pelos bebês e parece ter uma finalidade bastante distinta da nutrição infantil: influenciar na composição das bactérias nos intestinos do bebê.
Os detalhes dessa relação a três entre mãe, criança e micróbios intestinais estão sendo analisados por três pesquisadores da Universidade da Califórnia, Davis Bruce German, Carlito Lebrilla e David Mills. Junto a colegas, eles descobriram que um tipo específico de bactérias, uma subespécie da Bifidobacterium longum, possui um conjunto especial de genes que possibilita seu desenvolvimento nos componentes indigeríveis do leite.
Essa subespécie é comumente encontrada nas fezes de bebês amamentados. Ela reveste a superfície interior dos intestinos infantis, protegendo contra bactérias nocivas.
Os bebês supostamente adquirem a classe especial de "bifido" de suas mães, mas ela ainda não foi identificada em adultos.
"Estamos todos imaginando onde ela se esconde", disse Mills.
A substância indigerível que favorece a bactéria bifido é uma grande quantidade de açúcares complexos derivados da lactose, o principal componente do leite. Os açúcares complexos consistem de uma molécula de lactose à qual foram acrescentadas cadeias de outras unidades de açúcar. O genoma humano não contém os genes necessários para quebrar os açúcares complexos, mas a subespécie bifido sim, afirmaram os pesquisadores, numa revisão de seu progresso na "Proceedings of the National Academy of Sciences".
Sempre se acreditou que os açúcares complexos não possuíam importância biológica, mesmo constituindo até 21% do leite. Além de promover o crescimento da classe bifido, eles também servem como iscas para bactérias nocivas que possam atacar os intestinos do bebê. Os açúcares são muito parecidos com aqueles encontrados na superfície das células humanas, e são construídos nas mamas pelas mesmas enzimas. Muitas bactérias e vírus tóxicos se unem a células humanas ao se ancorar nos açúcares da superfície. Mas aqui, em vez disso, eles se unem aos açúcares complexos do leite.
"Achamos que as mães evoluíram para transmitir essa substância ao bebê", afirmou Mills.
German considera o leite como "um impressionante produto da evolução", que foi vigorosamente moldado pela seleção natural por ser tão essencial à sobrevivência de mãe e filho.
"Tudo no leite vem da mãe, ela está literalmente dissolvendo seus próprios tecidos para produzi-lo", explicou ele.
Do ponto de vista do bebê, ele nasce num mundo repleto de micróbios hostis, com um sistema imunológico destreinado e sem o cáustico ácido estomacal que, nos adultos, mata a maioria das bactérias. Qualquer elemento no leite capaz de proteger o bebê será fortemente favorecido pela seleção natural.
"Ficamos impressionados que o leite tivesse tanto material indigerível pelo bebê", disse German. "Descobrir que ele seletivamente estimula o crescimento de bactérias específicas, que por sua vez protegem a si mesmo, nos permite enxergar a genialidade da estratégia as mães recrutando outra forma de vida para cuidar de seus filhos".
German e seus colegas estão tentando "desconstruir" o leite, na teoria de que o fluido foi moldado por 200 milhões de anos de evolução mamífera e guarda uma riqueza de informações sobre a melhor forma de alimentar e defender o corpo humano. Embora o leite em si seja projetado para bebês, suas lições podem se aplicar aos adultos.
Os açúcares complexos, por exemplo, são evidentemente uma forma de influenciar a microflora intestinal, então eles podem, em princípio, ser usados para ajudar bebês prematuros, ou aqueles nascidos por cesariana, que não adquirem imediatamente a classe bifido. Sempre se pensou que não existia fonte para os açúcares além do leite humano, mas eles foram recentemente identificados no soro de leite, um subproduto da fabricação de queijos. Os três pesquisadores pretendem testar os açúcares complexos por benefícios a bebês prematuros e idosos.
As proteínas do leite também possuem funções especiais. Uma delas, chamada Alpha- lactalbumin, pode atacar células de tumores e aquelas infectadas por vírus, ao restaurar sua habilidade perdida de cometer suicídio celular. A proteína, que se acumula quando um bebê é desmamado, também é o sinal para que os seios se remodelem de volta ao estado normal.
Essas descobertas deixaram os três pesquisadores bastante cientes de que cada componente do leite possui uma função especial.
"Tudo está ali por um motivo, embora ainda estejamos descobrindo quais são esses motivos", disse Mills. "Então, pelo amor de Deus, amamentem seus filhos".
12 de agosto de 2010
11 de agosto de 2010
Multiculturas
Todo ser humano nasce. O Admirável Mundo Novo, de Huxley, felizmente ainda não se realizou e não há chocadeiras para a nossa espécie. Contudo, parir e nascer, muito além de fenômenos naturais, são também fenômenos socioculturais. Onde se vive e como se vive influenciam diretamente o modo como uma criança vem ao mundo.
A canadense Sarah foi rápida para notar isso. Grávida de sua primeira filha em terras brasileiras, constatou que teria poucas chances de parir caso permanecesse por aqui. Então, fez as malas e voltou ao seu país, onde deu à luz por meio de um parto natural hospitalar.
Sua cunhada Ana ainda não tem filhos, mas traz de seu país, a Espanha, outras matrizes de referência quando o assunto é nascimento.
Matrizes, aliás, que o casal Carla e Teco está reconstruindo ao longo da gestação de seu primeiro bebê. Com muita conversa, informação e respeito, ambos procuram o melhor caminho para bem acolher uma nova vida. Ela, pronta para um parto domiciliar. Ele, encantado com a Casa de Parto. Imersos que estavam na nossa cultura medicocêntrica, mostram-se felizes de conhecer outras possibilidades além do pacote hospital-anestesia-cesárea.
Parece uma mistura de tudo ao mesmo tempo, e é. Ou melhor, foi. Foi assim o encontro de julho, em São Bernardo, mediado pela tamém multicultural Deborah, que assina seus cheques com vários nomes complicados, finalizados por um ainda mais complexo Silva.
E viva as multiculturas!

Sarah do Canadá, Ana da Espanha, Carla do Brasil: imperatrizes do nosso encontro

Deborah do Brasil, da França, de Minas... e do grupo MaternaMente, dando liga à mistura com o casal grávido

Decisões conjuntas e bem informadas: Carla e Teco constroem as bases de sua nova matriz de referência
A canadense Sarah foi rápida para notar isso. Grávida de sua primeira filha em terras brasileiras, constatou que teria poucas chances de parir caso permanecesse por aqui. Então, fez as malas e voltou ao seu país, onde deu à luz por meio de um parto natural hospitalar.
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11 de julho de 2010
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